Numa tarde de domingo, ele decidiu encontrar-se com ela. Decidira entender tudo aquilo que havia aprendido com os anos. Chegou o momento. Sentou-se ao seu lado. Olhou nos olhos dela e viu. Viu que sua vida lhe trouxera algo que só ele sabia. Olhou e viu aquele menino mirrado, tímido que nem ao menos conseguia falar. Quando pequeno queria ser completo e foi. Seus amigos eram os livros e o silêncio. Nos livros se aventurava como nunca fizera antes. Nas histórias era o rei, o bandido, o mocinho, o amado. Mas, era no silêncio que encontrava a paz que tanto queria. Seguiu assim por muito tempo. Quando jovem descobriu o amor, mas ele não o presenteou da mesma forma que ele tinha lido nos livros. Neles, o amor era descrito como um sentimento puro e bom. Achou que a partir dali poderia abandonar a quietude, estava errado. O amor demonstrou-se cruel, mesquinho, egoísta. E mais uma vez só o silêncio lhe trouxe o sossego e também sabedoria. Não demorou muito para entender que aquilo não era para ele. Passaram-se anos e já adulto decidiu tentar abandonar o silêncio novamente. Não teve sucesso. As pessoas já não entendiam-no e nem ele as pessoas. Elas eram agitadas, intolerantes, nervosas. Corriam contra o tempo e o silêncio. Não tinham paz. E mesmo tendo sucesso, carreira, amor, enfim, tudo, não eram felizes. Ele, que tinha só o silêncio, sentia-se completo. Talvez, eles não tiveram um amigo como esse para ensinar-lhes as respostas. Talvez, nem os livros pudessem acabar com as dúvidas e as angústias daqueles que tanto procuravam. Então olhou nos olhos dela e viu: Viu que ela, a vida, não tinha sido feita para ele como era para os outros, suas convicções de nada se comparavam às deles. Sua felicidade era mais do que material, sentimental, era silenciosa.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
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